O mercado deve se atentar ao Capitalismo Consciente.

Ontem publiquei um artigo onde falava os principais problemas, em questão de marca, da EMPIRICUS já que o assunto tomou a internet na última semana. Nesse citei sobre como uma abordagem cansativa, agressiva e tendenciosa, com diversas promessas ditas irreais por profissionais da própria área de finanças, pode ser um tiro no pé para confiabilidade e credibilidade da empresa. E hoje pela manhã, navegando pelo LinkedIn, nos principais assuntos me deparo com o dito Capitalismo Consciente, algo que havia ouvido brevemente, mas não lido a fundo, aproveitei para conhecer o que estavam falando sobre. Por fim, para mim, o Capitalismo Consciente nada mais é que o real capitalismo, algo que em teoria já deveria ser e é, mas se ofusca em meio a métodos ditos capitalistas que em suma são corporativismo, oligopólio e outros diversos desvios que o Brasil, em principal, tem aos montes.

Em uma das notícias compartilhadas pelos usuários que falavam do tema, encontrei uma matéria da Revista EXAME onde fala que “83% dos brasileiros compram de marcas alinhadas com seus valores pessoais” segundo a pesquisa “Global Consumer Pulse” da Accenture Strategy. Ao ver esse fato, e ler a matéria, lembrei justamente do meu texto anterior falando em como uma marca pode se queimar e tornar-se algo negativo se forçar determinadas atitudes. 83% dos brasileiros estarem atrás de marcas que sustentam seus valores e possuem visões mais sustentáveis reforça ainda mais como devemos trabalhar nossa identidade de forma clara, justa e sincera para com os clientes, longe de utilizar chamadas vazias e má intencionadas. Me alegrou ao ler os conteúdos e cases apresentados no seminário do Capitalismo Consciente Latin-American Conference 2019, mostrando a força que muitas empresas tem em se manter firmes em seus propósitos, muitas abrindo mão de “Dinheiro mais fácil e garantido” de alguns investidores em prol a uma maior liberdade para com a identidade. 

Os tópicos citados que compõem o tal Capitalismo consciente são:

– Liderança consciente

– Orientação para stakeholders (público estratégico)

– Propósito humanziado

– Cultura Consciente

Outro pensamento que me veio a cabeça é justamente pensar que muitos desses 83% – Número que esperemos que cresça ainda mais-, serão empreendedores algum dia, e consequentemente suas marcas seguirão o pensamento sustentável. Todo sinal de evolução cultural é positiva na estrutura sócio-econômica, ainda mais em um país com essa realidade em extrema complexidade como estamos atualmente; onde grandes empresas estão fortemente ligadas ao sistema político e lá eles se mantém no topo. – Novamente, estamos longe disso ser capitalismo -. Ainda é algo novo, muitas empresas preferem ser neutras e não tocar em assuntos mais delicados como feminismo, Direito dos animais, ambientais, LGBT, entre outros, pois sabem que é algo que pode afetar em como sua marca repercute. – Atitude essa que em casos de marcas ainda não tão consolidadas se torna compreensível. -Porém, com grandes nomes mudando o posicionamento, com consumidores tornando-se mais ativos nesses assuntos e cobrando mais dos produtos e marcas que consomem, é um cenário positivo ao futuro para outros negócios também trabalharem com uma identidade mais aberta, transparente e sustentável. 

Segundo a matéria da EXAME, publicada pelo jornalista Guilherme Dearo:

“No Brasil, 79% dos consumidores disseram que querem que empresas e marcas se posicionem em relação a assuntos importantes em áreas como sociedade, cultura, meio-ambiente e política. Além disso, 76% disseram que suas decisões de compra são influenciadas pelos valores propagados pelas marcas e pelas ações de seus líderes. Em outro ponto da pesquisa, 87% dos brasileiros afirmaram desejar que as empresas sejam mais transparentes sobre a origem de seus produtos, as condições de trabalho de seus funcionários e a questão de testes em animais.”, 

Ou seja, cada vez mais o público tem um olhar crítico aos assuntos que a marca se posiciona a favor, e não mais apenas mensagens de indução, promessas, e maneiras clássicas de se vender um serviço ou produto. O mercado evolui junto ao consumidor e o consumidor evolui junto ao mercado, o sistema é cíclico e cada vez mais mostra que devemos além de vender nossos produtos e serviços, devemos entregar nitidamente nossos valores e pautas que temos como posicionamento de marca, o consumidor além de comprar, quer entender, sentir, participar e apoiar o que está comprando. 

Com isso, me alegro ver sobre o Capitalismo Consciente, mesmo que seja algo que eu ainda tenha que parar e ler mais sobre, pois é um assunto que me chegou de surpresa e gerou interesse. Mas, de princípio, traz positividade para nosso cenário sócio-econômico, com consumidores e empreendedores mais sustentáveis e interessados por pautas sociais a caminho, e o marcado precisa perceber, se adaptar e renovar-se novamente. 

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Luiza Trajano (Magazine Luiza) relatou no CCLA 2019 sobre as atitudes tomadas para que o propósito da empresa se mantivesse. (FOTO: DIVULGAÇÃO/YASMIN DIB)

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Pedro Gonçalves é Coordenador de marketing na Pêssego Atômico – Produção multimídia e Consultoria em Marketing, trabalha com consultoria e gestão com diversos clientes na região da AMUREL em Santa Catarina. 

Também é host do podcast Pêssego Podcasts onde fala de Literatura, Cinema e Quadrinhos, e possui quadros semanais nas rádios Porto Gravatá (Gravatal – SC) e Pamppas WEB (Porto Alegre – RS). 

Roteirista de Sketches de comédia pela The Second City – Comedy School de Chicago.

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